ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA PARA CRIANÇAS COM TRANSTORNO DA ESCRITA

11 Nov

Orientação Profissional

Por: Ivana E. B. Amorimb
Em: 11/11/2019

ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA PARA CRIANÇAS COM TRANSTORNO DA ESCRITA

Por  Ivana E. B. Amorimb - Psicopedagoga-Diretora de Mobilização - Itabatã/ BA

A definição da escrita seria a codificação de sinais gráficos que propicia registrar a linguagem falada desde os tempos da caverna. O marco divisório entre a Pré-história e a história é justamente o surgimento da escrita. Se expressavam graficamente, por meio dos desenhos, embora não fosse uma escrita propriamente dita. Nem todos compreendiam, e com o passar do tempo foi sendo abandonado pelos grupos.

Foi neste contexto que surge a primeira forma de escrita.

Com a evolução linguística, as letras se estabilizaram em número de 24 sinais.  O português surgirá mais tarde.

Para a humanidade não foi fácil aprender a escrever. A escrita é uma invenção decisiva para a história da humanidade, representando o pensamento e a linguagem entre as pessoas.

Mas precisamos registrar acontecimentos, dados, transmissão do conhecimento e outras tantas histórias, se tornando uma necessidade no processo de aprendizagem e da  comunicação.

O ser humano atualmente se relaciona com o conhecimento sobretudo, por meio da linguagem oral e escrita (Scholze, 2007). E para satisfazer essa transformação no universo, acompanha, no decorrer do tempo, um desenvolvimento tecnológico que se relaciona diretamente com o homem, fazendo-o experienciar fatores cada vez mais produzindo signos.

Os signos e suas fases perpassam por um estudo profundo para contribuir com o  desenvolvimento da comunicação do  indivíduo.

A pesquisadora e psicóloga argentina, Emília Ferreiro, dedicou anos para entender como o sujeito aprende, ocorrendo uma revolução conceitual na década de 80 de como se aprende o processo de escrita. E entre tantos estudos ela afirma:

A invenção da escrita foi um processo histórico de construção de um sistema de representação, não um processo de codificação. Uma vez construído, poder-se-ia pensar que o sistema de representação é aprendido pelos novos usuários como um sistema de codificação. (Ferreiro, 1995, p.12).

 

Ferreiro afirma acima que o processo de escrita passa por uma ordem sistematizada de representação até a codificação da língua materna, tendo como mediador e organizador o professor, ajudando o aluno a construir corretamente a linguagem. Rapidamente relacionarei as hipóteses de escrita no decorrer do desenvolvimento da criança:

  • Hipótese pré-silábica
  • Hipótese silábica
  • Hipótese silábico-alfabético
  • Alfabético

Nessas fases identificadas por Ferreiro percebe-se o nível de cada criança no desenvolvimento da escrita para que entendamos os problemas ortográficos, identificando sons e letras não aprendidas pelas crianças nas suas primeiras produções.

Identificando uma deficiência na leitura, normalmente a escola encaminha o aluno para os profissionais indicados. O psicopedagogo fará parte desse momento de intervenção na linguagem escrita do aprendente.

A partir daí o profissional buscará entender onde que configura a deficiência do aprendente. Surgirá estratégias planejadas para utilizar no decorrer das sessões.

Essas estratégias serão fundamentadas no nível de compreensão da criança conforme cita Ferreiro.

Podemos a partir daí utilizar jogos que valorizem o aprender da semântica, fonética e a fonologia das palavras. Jogos que identifiquem a letra inicial/final da palavra, reconhecer/identificar sons da mesma palavra, dentre outras atividades.

Quando cessarmos as possibilidades  e concluirmos que a criança apreendeu o som das letras, passaremos para as sílabas. Na mesma sequência  de compreensão.  Identificar as sílabas e seus sons. O processo de escrita se inicia com o processo de leitura. A criança primeiro identifica o som para organizar seu pensamento e ser capaz de externar a grafia.

E assim seguiremos com as palavras.

Jogos com essas características são encontrados em site e no mercado de lojas de brinquedos e em vários outros lugares, e eles têm um papel fundamental no aprendizado.