ORIENTAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: UMA NECESSIDADE NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

11 Nov

Orientação Profissional

Por: Maria Luiza da Silva Lima
Em: 11/11/2019

ORIENTAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: UMA NECESSIDADE NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Maria Luiza da Silva Lima

Psicopedagoga - Diretora de Mobização Sindical 

Introdução

O presente artigo vem tratar da importância da educação infantil para o desenvolvimento e aprendizagem da criança de três a cinco anos de idade. Percebendo que a maioria passa por essa etapa sem que vivencie toda experiência necessária para o desenvolvimento de suas potencialidades, dessa forma surgiu a inquietação de fazer uma pesquisa com o objetivo de compreender as várias estratégias que tem contribuído para o aprender na educação infantil, do mesmo modo compreender a forma pela qual a psicopedagogia poderá contribuir para a eficácia do ensino/aprendizagem nesta etapa da educação. Baseando-se nas dificuldades de ensino/aprendizagem nessa fase, procurou-se fazer uma pesquisa cientifica para compreender a importância da orientação psicopedagógica para essa etapa da aprendizagem.

 A lei é bem clara quanto a finalidade da educação infantil, como primeira etapa da educação básica, visa o desenvolvimento global do educando em seus vários aspectos. Seus aspectos físicos, psicológico, A educação infantil, primeira etapa da educação tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de 0 a 6 anos de idade em seus aspectos intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (LDB 9394/96, art.29).

 Dessa forma pode-se dizer que uma da especificidade da escola de educação infantil é criar mecanismos que possam atender a criança nesses vários aspectos, para o educando desenvolver suas potencialidades se faz necessário um planejamento baseado em seu desenvolvimento prévio, se assim não for a escola estará cometendo um grande pecado como diz Paulo Freire “uns dos maiores pecados é desconsiderar tudo com que a criança chega a ela. A escola decreta que antes dela não há nada”. Considerando a vivencia anterior dos estudantes o professor poderá elaborar situações pedagógicas de forma que o mesmo sinta-se valorizado e assimile o mundo em sua volta de forma prazerosa e significativa. A esse respeito nos fala (AUSEBEL,1980) “O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe. Averigue isso e ensine-o de acordo. ”

Uma das melhores formas de ensinar a criança de educação infantil seria através de brincadeiras, ou seja, através do lúdico como literatura infantil, jogos, parlendas e músicas, práticas essenciais para o desenvolvimento cognitivo, intelectual, afetivo psicomotor e interação social. De acordo com Pinto e Ribeiro (1970). A pré-escola deve dar oportunidade para a criança realizar atividades que ajudem no processo de alfabetização tais como o uso da leitura e escrita mesmo que não haja ainda o domínio formal e sistematização dos códigos linguísticos, mas que sirva para o desenvolvimento do pensamento da criança. Dessa feita:

A pré-escola não deve ter como única finalidade a escrita (alfabetização apenas como leitura e escrita de símbolos), mas considerar alfabetização como leitura da realidade que nos cercam. Dessa forma ela pode contribuir para desenvolver capacidade de a criança ver as coisas, interpretar uma história, um fato um relato, distinguir cores, formas, tamanhos, através de símbolos não escritos como dobraduras, maquetes, desenhos, pinturas, modelagens etc (PINTO & RIBEIRO,1970, P,45).

            A escola deve ser um espaço que possibilite a autonomia de forma contextualizada. Acredita-se que a escola é um lugar privilegiado de socialização, de relações interpessoais, onde a criança possa se desenvolver em todas as suas potencialidades.  Diante do que já foi dita a respeito da função da educação infantil vale ressaltar que essa fase da educação é uma das mais importantes, pois se estar se falando de seres que precisam de atenção e cuidado para que possam ser inseridos na cultura em que vivem e no mundo globalizado. A entrada na escola é um marco importante na vida da criança, pois ela estará aprendendo a resolver situações diversas, convivendo com a diversidade cultural, social e religiosa. No que diz respeito as interações sócias, ressalta-se que a diversidade de parceiros e experiências potencializa o desenvolvimento infantil. Os parâmetros de qualidade para educação infantil (V.1.BRASILIA,2006) diz que “o período da educação infantil é ideal para proporcionar ao educando a maior quantidade de experiência que for possível nas áreas: cognitiva, afetiva, psicomotora e social’’. Segundo Pinto e Ribeiro (1973) “a proposta pedagógica deve ter como princípio o respeito ao contexto sociocultural e econômico do qual provem as crianças e a valorização do saber que trazem para a escola. De acordo com as autoras a pré-escola não só prepara para o ensino fundamental como para o resto da vida, pois é nessa fase que são preparadas as bases para futuras aprendizagens. Ainda de acordo com as autoras nessa fase o professor (a) não deve nem forçar nem impedir que o aluno se alfabetize. Deve dar condições para que a criança aprenda, para que ela construa o seu conhecimento, para que desenvolva todas as suas potencialidades num processo natural gradativo, dentro de seu próprio ritmo e condição cognitiva de forma prazerosa’’.

A importância da atuação do psicopedagogo na escola de educação infantil

É de grande relevância o acompanhamento psicopedagógico na escola de educação infantil, já que as dificuldades de aprendizagem podem surgir logo no início da escolaridade ou até mesmo antes. Sendo o psicopedagogo um profissional que atua de forma preventiva e ou terapêutica, pode assim dá suporte psicopedagógico para a escola de educação infantil de forma que essa escola desenvolva um trabalho que valorize toda potencialidade do aprendente sem que atropele seu desenvolvimento ou nível de alfabetização.  Assim:

Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processo de orientação. Já que no caráter assistência, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e as necessidades individuais de aprendizagem da criança ou da própria ensinagem. (BOSSA,1994, p,23).

Falou-se nos níveis de escrita, níveis esses que se não forem trabalhados adequadamente, dentro de uma perspectiva construtivista e o educador não tiver conhecimento, a criança pode passar muito tempo em um desses níveis e gerar assim complicações e atraso na vida escolar do estudante como nos falam Pinto e Ribeiro (1970) “essas crianças que demoram avançar são muitas vezes consideradas deficientes incapazes com dificuldade de aprendizagem pela escola”. Neste momento tão importante da alfabetização o psicopedagogo estará atuando de forma preventiva para que atropelos nem retrocessos venham acontecer e assim o aprendente não fique marcado por rotulações. Ainda a esse respeito nos fala Weiss:

Quando a queixa escolar sobre dificuldade de aprendizagem ou produção escolar diz respeito a criança em processo de alfabetização a questão exige uma reflexão sobre o aspecto teórico do assunto (WEISS,2001).

Sabe-se que depois das pesquisas de Emília Ferreiro e a teoria da psicogêneses da língua escrita, mudou-se o conceito de alfabetização. Cabendo, assim uma reflexão e investigação mais detalhada quando a queixa escolar se trata de criança da educação infantil, Pois cada criança tem seu tempo de aprender que se for pressionada ou cobrada com um tempo determinado para aprender, poderá gerar dificuldades de aprendizagem nessa fase e nas posteriores.

As dificuldades de aprendizagem se manifestam de diversas formas dentro da escola. Cada criança tem suas peculiaridades e aprendem de forma diferenciadas uma das outras e nem sempre são compreendidas pelo professor. Quando o professor não encontra mecanismos que viabilize a aprendizagem de forma prazerosa e significativa pode destruir o vínculo afetivo existente entre professor e aluno, vínculo esse tão importante para o bom desenvolvimento da aprendizagem.

Considerações finais

            Diante da complexidade dessa etapa da educação fica clara a necessidade da orientação psicopedagógica nas escolas de educação infantil, sua contribuição é sem dúvida indispensável para prevenção de dificuldades de aprendizagens e garantia de um ensino/aprendizagem de qualidade. Muitas vezes, diante de uma dificuldade de aprendizagem apresentada pela criança a escola e a família chegam a pensar que estão diante de um problema patológico e, é justamente o olhar psicopedagógico que fará a diferença, através do diagnóstico que confirmará ou não as hipóteses levantadas mediante a queixa ou observação. O psicopedagogo observa o indivíduo tanto no grupo quanto em sua individualidade. Nos aspectos, orgânico, cognitivo, emocionais e sociais, trazendo, assim uma devolutiva a escola e aos pais. Estará atento também a toda estrutura da instituição observando se essa estrutura está proporcionando condições que favoreçam uma boa aprendizagem.

 O olhar desse profissional deve estar voltado não só para o indivíduo em sua globalidade, mas também para o meio no qual ele está inserido com toda sua dinâmica. Todos estes aspectos devem ser levados em conta, pois são de fundamental importância para intervenção psicopedagógica. Sendo assim não pode-se negar a contribuição da psicopedagogia nesta fase da educação que de acordo com a (LDB 9394/96, art.29) é a primeira etapa da educação básica. Podendo-se assim inferir que essa é a fase mais importante da educação, pois trata-se da base educacional do indivíduo.

 

Referências bibliográficas

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